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"Paternidade Consciente"
Ele já foi o provedor da casa. Era ele quem trabalhava e sustentava a todos. Naquela época lugar de mulher era em casa, e ao homem cabia o trabalho. O que seu pai faz? Ele trabalha.
Nesta época ninguém tinha dificuldade em responder a esta pergunta. Obrigação de pai era trabalhar, e ponto final. Dar boa escola aos filhos, dizer o que era certo e errado. Época de papéis claros: mãe era mãe, e pai era pai. Filhos obedeciam aos seus pais apenas por seu olhar, e azar dos mais rebeldes que desafiassem esta autoridade clara e máxima.
O tempo passou e o mundo mudou. As mulheres entraram na cena social. E lá pelos anos 80, de tão independentes que estavam, acharam que a produção independente era a melhor saída. Pai dentro de casa pra quê? "Somos independentes" , era o seu bordão preferido. Muitos homens tiveram nesta época apenas um único papel: o de procriador!
O tempo passou e o mundo mudou. Hoje é clara a importância da figura paterna. Homem é importante. Figura masculina na vida faz diferença. E como faz!
Hoje vivemos crise de autoridade no mundo. Faltam líderes verdadeiros em quase todos os lugares. Estudos demonstram que falta identificação masculina nos lugares onde a bandidagem atua. Lembra do filme Cidade de Deus? Já leu algum estudo da socióloga Alba Zaluar? Então leia correndo!
A mulherada foi tendo filhos, adolescentes foram engravidando. E os pais onde estão? Alguns já morreram. E a criançada foi crescendo sem figuras masculinas confiáveis.
A sociedade anda meio que desprotegida mesmo. Faltam figuras masculinas confiáveis no pedaço. Principalmente onde a violência reina: favelas, periferia. Há um monte de mulheres que continuam burramente escolhendo péssimos pais para os seus filhos. Auto-estima baixa, juventude misturada com sexo fácil, e quase nenhuma preocupação ou responsabilidade com o futuro. Elas continuam esquecendo que figura de pai é importante, fundamental.
Pai nos ensina um monte de coisas boas. Pelo menos meu pai foi e é assim. Hoje ele tem 79 anos, já caminha lento como que desafiando o vento, semelhante àquela música linda e antiga do Altemar Dutra "Meu Velho".
Meu pai não seguiu nenhum modelo. Ele foi sim um provedor, trabalhava muito para nos sustentar, mas nunca foi ausente. Muito pelo contrário. Ele era na minha infância um artista, como bom aquariano. Desenhava e pintava, e inventava coisas como o Professor Pardal. Arrumava armários, transformava tudo na nossa casa. A cama de hoje, virava o armário de amanhã. Tudo o meu pai, com suas hábeis mãos, dava um jeito. Ele era o próprio diálogo. Com ele era fácil e fluído conversar, sem grandes broncas. Lembro de poucas broncas que meu pai me deu. Ele sempre foi um tipo tranqüilo. Que contava coisas engraçadas dos seus trabalhos. Nunca vi meu pai chegar bravo em casa, ou achar o trabalho um fardo. E olha que ele trabalhava muito. Mas eu só lembro-me dele junto conosco, suas filhas e esposa. Ele sempre e até hoje anda abraçado com minha mãe. Nas fotos estão sempre como um casal de namorados. Não perderam o amor este amor puro!
E pra mim papel de pai é isto! É aquele que sabe demonstrar na prática o afeto que sente pela mulher que escolheu. É o pai que ensina o amor. Não o amor filial, mas o amor pelo mundo e principalmente por uma mulher. Quando uma mulher escolhe um homem para ser o pai de seu filho, ou o substituto deste pai, se a mulher é viúva ou separada ou ainda mãe solteira; deveria pensar no seguinte: Será que ele será capaz de me amar e respeitar? Será que ele será capaz de ensinar na prática a função do amor aos filhos?
E é assim que crianças e adolescentes escolhem se identificar com a auto-estima ao invés da bandidagem. Escolhem se identificar com a paz ao invés da violência. Escolhem o amor ao invés do medo. Sim, pai, figura paterna ou seja lá como você queira chamar,não é importante, é fundamental para o crescer saudável. Líderes são isto. Educadores também!
Meu pai não seguiu nenhum modelo estereotipado. Ele é sensível até hoje. Quando as pessoas falam que os provedores eram ausentes, acho que uma coisa nada tem a ver com outra. Ausentes são os pais chatos e cansados. Infelizes com seus trabalhos, e que só pensam em coisas materiais. Meu pai sabia brincar comigo e minha irmã quando éramos pequenas. Nos ensinou a sonhar. A lidar com o medo. Quando faltava luz em casa era ele que ficava a noite toda me contando histórias. Ele adorava ler, apesar de ter estudado somente até o segundo ano primário. Ele fazia questão de ler o livro que eu era obrigada a ler na escola, apenas para depois discutir comigo. E isto era muito divertido. Ele sempre me contou histórias, muitas histórias de sua infância no interior. Ele recheou nossa vida de emoção.
Papel de pai é isto: participação!
Quantas mulheres ainda insistem em ser "Pães": Ser pais e mães para os seus filhos. Os papéis são diferentes!
Hoje não há tanta rigidez. Há pais que ficam em casa cuidando dos filhos, enquanto as mulheres trabalham. Mas a figura masculina é importante. E em minha opinião há uma falta enorme dela no mercado. Onde estão os professores? O mundo infantil, tanto das meninas quanto dos meninos, é recheado de figuras femininas, algumas cá entre nós bem amargas.
O papel de pai hoje é construído de acordo com cada relação. Os filhos podem ser naturais, de outros casamentos ou adotados. A rigidez foi para o espaço. As relações se constroem criativamente. Não basta ter filhos e abandoná-los à vida. Filhos são emprego eterno, não importa quão crescidos eles estejam. Sustentá-los apenas, hoje não funciona mais. Olhe o mundo à sua volta,e veja quantos precisam de pais. Eles podem ser bons professores. Aquele cara bacana que dá um sorriso para o moleque que pede esmolas na rua. Aquele senhor que faz um trabalho construtivo na favela. E principalmente aquele que não se omite como cidadão. Pai, ou figura paterna, ainda é aquele que mostra rumos. A melhor figura que encontro para descrevê-lo é um cintilante farol. Ele ilumina o caminho. Pai que é pai é inesquecível. São homens com "H" maiúsculo, e não precisam ser amargos e muito menos grosseiros. Podem ser bonitos, bem cuidados. Podem ser mal trajados. Pouco importa, o importante é que sejam figuras referenciais. Que nós filhos de qualquer idade, saibamos que eles estão lá iluminando os nossos caminhos. Protegendo-nos contra os maus pais da vida. Aqueles que nos incitam pelos piores caminhos. Que os bons pais estejam representados em todos os lugares. Que eles sejam nossos vizinhos. Nossos amigos. Nossos chefes e nossos mestres. Mas que sejam antes de tudo bons exemplos para seguirmos. Nós todos precisamos muito de bons pais!
Esta é minha homenagem a todos os homens casados, solteiros, que tem filhos ou não, mas que têm uma figura paterna gostosa e bem construída dentro de si. Aquela que é capaz de amar e respeitar uma mulher, participar da vida de uma criança ou adolescente, e no final das contas fazer toda a diferença neste mundo onde muitos estão órfãos dos valores advindos de um bom e caridoso Pai!
Autor Desconhecido |
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